"Alice", de Lewis Carroll | Sagas


Alice é uma duologia infantil escrita pelo matemático britânico Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudônimo Lewis Carroll, e originalmente ilustrada pelo também britânico John Tenniel. Foi originalmente publicada pela editora Macmillan, e foi publicada no Brasil em versões integral e adaptadas por diversas editoras, entre elas Zahar e Autêntica.



SOBRE A SAGA


A saga é composta pelos volumes Aventuras de Alice no País das Maravilhas (ou Alice no País das Maravilhas) e Alice Através do Espelho (ou Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá), sendo que, do último, foi excluído um trecho, publicado postumamente sob o título O Marimbondo de Peruca. Em 1890, Carroll recriou a narrativa do primeiro livro sob o título Alice no Jardim de Infância, destinado ao público de 0-5 anos.

No Brasil, uma das traduções mais conhecidas ─ com uma linguagem dirigida ao público infantil, foi feita por Monteiro Lobato; outra, mais erudita e fiel ao original, é de Augusto de Campos. A tradução da duologia feita por Maria Luiza Xavier de Almeida Borges ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Tradução em 2002.

Algumas das adaptações para o cinema mais conhecidas são: Alice no País das Maravilhas (animação de 1951), Alice no País das Maravilhas (longa de 2010 dirigido por Tim Burton) e a continuação Alice Através do Espelho (2016). Na televisão, destacam-se a minissérie Alice (2009, BBC), a série Once Upon a Time in Wonderland (2013-2014, ABC) e a websérie animada Ever After High (2013-presente).


Origem de As Aventuras de Alice no País das Maravilhas

Em 4 julho de 1862, durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa, Charles Lutwidge Dodgson, na companhia do seu amigo Robinson Duckworth, conta uma história de improviso para entreter as três irmãs Liddell (Loriny Charlotte, Edith Mary e Alice Pleasance Liddell). Eram filhas de Henry George Liddell, o vice-chanceler da Universidade de Oxford e decano da Christ Church, bem como director da escola de Westminster. A maior parte das aventuras foram baseadas e influenciadas em pessoas, situações e edifícios de Oxford e da Christ Church, por exemplo, o Buraco do Coelho (Rabbit Hole) simbolizava as escadas na parte de trás do salão principal na Christ Church. Acredita-se que uma escultura de um grifo e de um coelho presente na Catedral de Ripon, onde o pai de Carroll foi um membro, forneceu também inspiração para o conto.

Essa história imprevista deu origem, a 26 de Novembro de 1864, ao manuscrito de Alice Debaixo da Terra (título original Alice's Adventures Under Ground) com a finalidade de oferecer a Alice Pleasance Liddell a história transcrita para o papel.

Mais tarde, influenciado tanto pelos seus amigos como pelo seu mentor George MacDonald (também escritor de literatura infantil), decidiu publicar o livro e mudou a versão original, aumentando de 18 mil palavras para 35 mil, acrescentando notavelmente as cenas do Gato de Cheshire e do Chapeleiro Maluco.

Deste modo, em 4 de Julho de 1865 (precisamente três anos após a viagem) a história de Dodgson foi publicada na forma como é conhecida hoje, com ilustrações de John Tenniel. Porém a tiragem inicial de dois mil exemplares foi removida das prateleiras devido a reclamações do ilustrador sobre a qualidade da impressão. A segunda tiragem, ostentando a data de 1866, ainda que tenha sido impressa em Dezembro de 1865, esgotou-se nas vendas rapidamente, tornando-se um grande sucesso, sendo lida por Oscar Wilde e pela rainha Vitória. Durante a vida do autor, o livro rendeu cerca de 180 mil cópias. Foi traduzida para mais de 125 línguas e só na língua inglesa teve mais de 100 edições.

Em 1998, a primeira impressão do livro (que fora rejeitada) foi leiloada por 1,5 milhão de dólares americanos.

Algumas impressões desta obra contêm tanto Aventuras de Alice no País das Maravilhas, como também a sua sequência Alice Através do Espelho. Fonte


Origem de Alice Através do Espelho

Em 1871, Dodgson encontrou outra Alice durante a sua estadia em Londres, Alice Raikes, com quem fala sobre o reflexo no espelho, originando o livro Alice Através do Espelho, que vendeu ainda mais que a primeira obra. Fonte

Carroll, apaixonado por crianças, elaborou as duas narrativas como um contraponto fantasioso e feérico que ridicularizava a compostura exigida às histórias edificantes e moralistas que eram lidas para os pequenos súditos da Inglaterra vitoriana. Um claro exemplo é o momento em que a sentenciosa Rainha Vermelha diz: "Fale só quando falarem com você". Alice observa que, se essa regra fosse seguida por todos igualmente, a conversa deixaria de existir. Porém, tanto Alice no País das Maravilhas quanto Alice Através do Espelho mostraram ser muito mais do que histórias infantis: são obras-primas da literatura fantástica de todos os tempos, para leitores de todas as idades. Fonte



OBRAS


#1 Alice no País das Maravilhas (2017)
Ilustrações: John Tenniel
Título original: Alice's Adventures in Wonderland (1865)
Editora: MacMillan (UK); Autêntica infantil e juvenil (Grupo Autêntica, BR)
Tradução: Márcia Soares Guimarães
Gêneros: Aventura, nonsense
Prêmios: Kurt Maschler Award (1988, edição ilustrada por Anthony Browne), Kurt Maschler Award (1989, edição ilustrada por Helen Oxenbury), Prêmio Jabuti (2002, edição comentada por Martin Gardner e traduzida por Maria Luiza de A. Borges)

Sinopse
Um século e meio é a idade deste livro que, ainda hoje, todos nós amamos ler e reler. Alice no País das Maravilhas é um clássico atemporal, que vem, do século XIX até nossos dias, intrigando, encantando e emocionando leitores de todas as idades.

Conta a história de Alice, menina que cai numa toca de coelho e vai parar num lugar fantástico, povoado por criaturas estranhas que lembram seres humanos. Um universo nonsense, com uma lógica do absurdo, que remete ao mundo dos sonhos, numa narrativa pontuada por paródias de poemas populares infantis ingleses daquela época.

Nesse lugar, Alice enfrenta estranhas e absurdas aventuras, passa por situações incomuns, conhece seres extravagantes, é submetida a perguntas e situações enigmáticas ou desprovidas de sentido lógico, aumenta e diminui de tamanho… e vive tudo com naturalidade e muita, muita curiosidade.


#2 Alice Através do Espelho (2017)
Ilustrações: John Tenniel
Título original: Through the Looking Glass and What Alice Found There (1871)
Editora: MacMillan (UK); Autêntica infantil e juvenil (Grupo Autêntica, BR)
Tradução: Márcia Soares Guimarães
Gêneros: Aventura, nonsense
Prêmio: Prêmio Jabuti (2002, edição comentada por Martin Gardner e traduzida por Maria Luiza de A. Borges)

Sinopse
Depois de cair na toca do Coelho Branco e de viver aventuras mágicas no País das Maravilhas, Alice, curiosa como sempre, resolve investigar o que existe atrás do espelho que fica acima da lareira de sua casa.

Não se sabe como, consegue passar através do espelho e sair num mundo completamente diferente, meio maluco, até, com um terreno marcado como um tabuleiro de xadrez. Ali, encontra figuras excêntricas e surpreendentes como o Rei e a Rainha brancos e o Rei e a Rainha vermelhos do jogo de xadrez, o Coelho Branco, Tweedledum e Tweedledee, Humpty Dumpty, flores que falam, bichos e muitos outros seres fantásticos.

E é com eles que Alice vive situações engraçadas ou estranhas, ou perigosas, ou absurdas, sempre de maneira natural e sem estranhamentos. Tudo isso comandado pelas regras do jogo de xadrez, que a menina deve seguir para chegar ao seu destino e realizar seu sonho.


#2.5 O Marimbondo de Peruca (2015)
Título original: The Wasp in a Wig: A Suppressed Episode of Through the Looking Glass and What Alice Found There (1977)
Editora: Clarkson N. Potter (UK); Zahar (BR)
Tradução: Maria Luiza Xavier de Almeida Borges
Gêneros: Aventura, nonsense, conto
Prêmio: Prêmio Jabuti (2002, edição comentada por Martin Gardner e traduzida por Maria Luiza de A. Borges)
Disponível gratuitamente em ebook

Sinopse
Episódio integrante da obra-prima Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, de Lewis Carroll, esse texto permaneceu ignorado por quase um século e só foi descoberto pelos fãs de Alice em 1977, quando a conceituada Sotheby’s de Londres leiloou os originais de Carroll.


#1-2.5 Alice: edição comentada e ilustrada: Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Através do Espelho (2013)
Ilustrações: John Tenniel
Editora: MacMillan (UK); Zahar (BR)
Tradução: Márcia Soares Guimarães
Gêneros: Aventura, nonsense

Sinopse
O leitor brasileiro tem agora a edição definitiva e consagrada de "Aventuras de Alice no País das Maravilhas" e "Através do Espelho", com suas ilustrações originais, obras-primas de Lewis Carroll que não podem faltar nas bibliotecas, escolas e, naturalmente, em sua casa. As notas de Martin Gardner - um dos maiores especialistas em Carroll - dão sentido a passagens nunca antes elucidadas, esclarecendo trocadilhos de época, enigmas lógicos e referências à vida pessoal do autor, além de tornarem possível uma tradução mais próxima da versão original. Uma revolução nas interpretações das histórias de Alice, proporcionando a crianças e adultos do século XXI o caminho perfeito para penetrar no País das Maravilhas e no mundo invertido do Espelho. Cortem a cabeça de quem ficar de fora desta! O livro traz ainda: além de todas as ilustrações originais de John Tenniel, também esboços recém-descobertos; introdução situando "Alice no País das Maravilhas" e "Através do Espelho" no contexto da Inglaterra vitoriana; bibliografia da obra de Lewis Carroll, enriquecida com edições em português; filmografia, com todos os filmes já produzidos sobre Alice; episódio inédito de "Através do Espelho": "O Marimbondo de Peruca".


#Bônus Alice no Jardim de Infância (2013)
Título original: The Nursery "Alice" (1890)
Editora: MacMillan (UK); Iluminuras (BR)
Tradução: Sérgio Medeiros
Gêneros: Aventura, nonsense

Sinopse
Concebido e escrito entre 1889 e 1890, o livro Alice no jardim de infância é uma obra de Lewis Carroll que se propõe a recontar, para crianças de zero a cinco anos, as aventuras da menina Alice no País das Maravilhas. O autor inglês escreveu o livro com um olho em vinte ilustrações coloridas de Tenniel, que já haviam aparecido em preto e branco no livro original. O leitor brasileiro saberá agora que Alice usava meias azuis..., e verá essas meias e outros detalhes importantes da personagem se destacarem nas páginas deste livro, que revela novas e saborosas facetas da maior heroína de Carroll.



Sobre Claudia Carvalho

É proprietária e autora do OUL. Interessada em literatura e ficção desde a infância, acredita que conhecimento existe para ser compartilhado.

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